Wednesday, February 07, 2007

 

Concorda com a despenalização do aborto para os argumentos do não, até dia 11 de Fevereiro, se realizada em blog relativamente obscuro?

Hoje vamos debater a matança de inocentes, a chacina de bébés e o assassinio de crianças.

(...)

Afinal o representante da igreja católica desmarcou, e por mútuo acordo entre os presentes representantes das várias tendências ideológicas, vamos antes falar de interrupção voluntária da gravidez. Isto porque o tribunal constitucional achou que sim... que fazia sentido...

Só meia dúzia de coisas de rajada, que por mais óbvias que sejam, parece que há pessoas que não as conhecem...

- Despenalizar significa que não há possibilidade de ninguém ser perseguido por abortar. Legalizar, é diferente. Significa que o aborto já não é visto como um crime. Liberalizar, é ainda mais á frente, quer dizer que qualquer mulher pode abortar dentro de um prazo definido (24 semanas em Inglaterra), tendo a última palavra na questão. São coisas diferentes. Não têm nada que ver, e se bem que muita gente as misture propositadamente, não querem dizer o mesmo. Não vale a pena insistir em dizer que são o mesmo, porque não são. Se o aborto se tornar legal em portugal, num modelo de indicações (despenalização/legalização), é preciso que dois médicos concordem que há razões para o praticar. Se não, não se pratica. Se uma senhora casada, feliz e cheia de tusto for ter com um médico e lhe disser que quer abortar porque sim, isso não lhe é permitido. A não ser que o aborto seja liberalizado. Que é diferente de despenalizado.

- Além disso, a nossa senhora de fátima sabe tanto de aborto, como eu de tapeçaria de arraiolos. Sei que ela ta farta de escrever cartas à malta, mas, santa paciência, e perdoe-se a blasfémia, não é entidade de confiança no que diz respeito a direccionar sentidos de voto. Também se deve fazer orelhas moucas ao francisco louça quando ele engata o seu tom paternalista e começa a disparar sobre as coitadinhas das pobrezinhas das desgraçadinhas das mulheres mais desfavorecidazinhas. Apela tanto à razão, como meia dúzia de imagens de fetos desfeitos, ampliadas 15 vezes, na cybershot de qualquer quadro intermédio da opus dei.

- A seguir, e fintando estilo quaresma a questão estéril da definição do começo da vida humana, que ninguém venha dizer oócito fecundado é a mesma coisa que um bébé. Porque não é. Tudo não é igual a tudo, não há relativismos absolutos, e um ser humano não se esgota no seu código genético. Se o mesmo ovo fosse implantado em mulheres diferentes, estas teriam filhos diferentes, ou mesmo na mesma mulher em periodos diferentes. Além de haver a possibilidade de se formarem gemeos monozigoticos, de haver aborto espontâneo, entre outras. Por isso um ovo não é uma ''pessoa em potencia''. É uma série infinita de ''pessoas diferentes em potencia'' ou nenhuma pessoa mesmo. A constiuição não protege ''uma data de seres humanos diferentes, sendo que nenhum é, mas qualquer um pode vir a ser''. Protege a vida do ser humano.
Agora também é muito dificil concordar com os movimentos que só têm em conta os direitos da mulher... A dada altura temos que conferir os direitos constitucionais ao feto, e isso é seguramente antes do nascimento... Agora será que é antes das 10 semanas? Será que a finta não funcionou? Não sei... tenho medo de dizer que está é uma questão resolúvel...

- O não tem muitos argumentos. Não são todos completamente disparatados, nem impregnados de preconceitos, reliosidade superficial, hipocrisia e cinismo. Mas muitos são. Embora estes sejam de longe mais divertidos de escutar, é preciso não esquecer os outros. Assim, há pessoas que agora dizem que as mulheres deviam pensar em contracepção antes, para depois nem se pôr a questão de abortar, depois de dizerem que a contracepção é contra as palavras divinas do 'crescei e multiplicaí-vos', e que o preservativo é coisa do demo. Há pessoas que baseiam a argumentação no respeito pela mulher, chamam 'filho' ao embrião, porque a mulher grávida o faz, ficam embevecidos, fascinam-se, baseiam muito o que chamam 'defesa da vida' nesta interacção mas já não reconhecem à mulher faculdades para trilhar o caminho contrário.

- O problema das gravidezes indesejadas, é que são indesejadas. Assim, obrigar uma mulher que quer abortar a ter uma gravidez de termo, é pôr uma responsabilidade brutal nas mãos de uma pessoa que não está preparada para ela, e mais importante, que não a quer.

- O argumento que não há mulheres na prisão, e que por isso não é preciso alterar a lei, é contraproducente. Ridiculariza o remoto efeito dissuasor que a lei poderia eventualmente ter, e faz-nos perguntar para que serve uma lei que nunca é aplicada. Mesmo a proposta de crime sem pena... Para que serve definir um crime e não lhe imputar uma pena?
A lei só poderia dissuadir mulheres de abortar no sentido em que poderiam ter medo de enfrentar julgamento e humilhação públicos. Não parece que o medo a intimidação, e a humilhação sejam métodos legítimos ou sequer eficazes de tentar reduzir o aborto clandestino.

- As estatísticas internacionais parecem ser um ponto a favor do não. Apesar do Eurostat não ser exactamente uma entidade absolutamente idónea, muitas estatísticas parecem desenhar um aumento do aborto nos países que o liberalizaram. Convem ter em conta que:
- Há uma passagem gradual do aborto clandestino para a legalidade que dá origem a um aumento significativo durante os primeiros anos de legalização. Isto é para as combativas senhoras que no prós e contras apresentam bonitos gráficos que comparam os valores de aborto no primeiro ano da legalização, com os valores do ano passado, em vez de terem uma linha de evolução ao longo do tempo, tinham duas barras para maximizar o 'efeito de escancaramento da boca em consternação'. Essa apresentação é manipuladora, e a sua utilização ou é ingénua, ou perto de desonesta;
- O eurostat foi atingido por vários escândalos de fraude nos últimos anos... O que não tira a validade ás estatísticas, mas também faz mais do que levantar algumas sobrancelhas;
- A população aumentou. Logo o aborto aumentou com ela.
- Alguns deses países têm muito menos mulheres em idade fértil a fazer uso da pílula, em relação a portugal. Nomeadamente espanha, invocada vezes sem conta para comparações rápidas com a realidade Portuguesa. É natural que o aborto aumente mais lá do que cá.
- Por último, NÃO nos fiemos em estatísticas em números absolutos. Qualquer estatística que não tenha o número de abortos relacionado com o número de mulheres em idade fértil, comparados no tempo, tem tendência a complicar as coisas. Isto inclui: números absolutos e relações manhosas entre o número de abortos e a taxa de natalidade, o índice de fertilidade e outras coisas demais. Não quero dizer que esses factores não são importantes, antes que gosto de estatísticas simples.

- Enfim, e para a malta de direita em geral... Numa sociedade cada vez mais neo liberal em que se corta os orçamentos de serviços à população como sequoias no jardim novo de um madeireiro amazónico, vir agora, especificamente em relação a esta questão, dizer que se devia: ''ajudar a mulher, em vez de oferecer o aborto como única solução'', ''Melhorar os serviços de adopção'', ''Dar aulas de educação sexual'', ''Criar estruturas que apoem a maternidade''... é a definição de demagogia. Porque é verdade e é indesmentível mas é exactamente a malta de direita vai ser contra a expansão do estado, vai querer cortar servições públicos, para reduzir a despesa e agradar a bruxelas, vai condenar a educação sexual porque ''é imoral e leva a sexualidade desenfreada, aumentando a marginalização e o insucesso escolar''.
São as mesmas pessoas. Só que agora dá jeito ter um discurso social. o paulinho das feiras tornou obsoleto este médoto, por sobre utilização. Depois do Não ganhar (se o não ganhar...) quem é acredita que estes senhores vão continuar a defender isto?

Por último, porque é que o aborto havia de aumentar se a IVG for despenalizada?
Não me parece que haja muita gente por aí a conter uma incontrolável vontade de abortar para se divertir. São os próprios defensores do não que dizem que o aborto provoca extrema angústia e sentimento de perda. Porque é que havia de aumentar? Escolha as razões!

- O aborto invoca os nossos impulsos animalescos!
- O aborto dissolve a moral e os bons costumes!
- Vai haver muito mais sexo entre os jovens! (se ao menos fosse verdade...)
- As mulheres vão deixar de tomar a pílula, porque preferem abortar! É mais divertido!
- Os homens vão fazer muito mais pressão para as mulheres abortarem! (buuuu, os homens são todos uns cabrões qdo dá jeito!)
- Há pessoas mal intencionadas que vão abortar para venderem os tecidos fetais a outras pessoas mal intencionadas! (é um risco, mas porque é que no enquadramento juridico actual isto é impedido? Uma pessoa suficientemente mal formada para praticar este acto, vai deter-se por causa duma lei que nunca foi aplicada?!?)
- O zézé camarinha vai poder atacar à vontade!
- Os ursos polares vão dançar sapateado!

Comments:
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Vai lá fazer um comentário ao blog no post da Nossa senhora porque já foi um gajo do Não comentar e assim até parece mal... eu aceitei o comentário porque sou muito isento e imparcial... e porque sempre é alguém a comentar algo sem me chamar assassino e anti-Cristo :P
 
epa eu ainda tava indecisa, mas após a leitura deste post fiquei esclarecida!vi a luz!

Um bem haja ao "Homem massa"!
Viva a pirla!


ah so uma pequena correcção...não há sequoias na amazônia:)
 
Depois de ter visto que cometeu um erro crasso a cima descrito pela minha colega de curso, não sei se não fiz mal ter me influenciado pelo seu discurso e ter votado Sim. Quem sabe se outras pessoas não tenham ido votado Sim pelas mesmas razões e agora este Sim QUE GANHOU se baseie noutros erros crassos que porventura tenha cometido.
P.S. continua a escrever que pelo menos tens uma leitora. :)
 
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